sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Argumentar é preciso.

 Ex-alunos e colegas  têm se pronunciado com veemência e mesmo fervor pela candidatura de Lula, o mesmo líder que há décadas inspira e comanda a esquerda.

Em anos recentes surgiu uma liderança da direita, conservador que confronta o petismo. 

São dois polos que se digladiam, o fato de haver dois polos mostra o quanto os extremos se beneficiam ou melhor, se fazem valer, cresce um deles, o outro cresce na mesma medida. O conservadorismo resulta do esfarelamento da ideologia da esquerda que depende de uma única pessoa. 

Lula há décadas é o representante máximo e único, eleger Lula é estar do lado do bem, da verdade, apenas ele assegura que o país não vá mergulhar no fascismo. 

Esse pêndulo, um existir em função do outro, impediu que outras lideranças surgissem, que outras vozes se apresentassem, que a polarização não chegasse a esses extremos prejudiciais e obscuros.

A devoção ideológica a Lula, amparada por integrantes da corte suprema, leva ex-alunos meus, colegas universitários, professores de Filosofia a repetir que a democracia será destruída, que o caos se instalará, que o país será decretado quintal dos EUA, que a pobreza aumentará, que a Amazônia vai virar um deserto, que as crianças portarão armas, que a saúde pública, o SUS, vai virar poeira.

Para tal é preciso arregimentar, fazer o "L", o "exército", sim, apenas o "exército" aguerrido impedirá o caos.

Não apoio o conservadorismo, busco com coragem na minha trajetória pessoal a coerência, o compromisso com a pesquisa, com publicações, jamais faria parte de um exército que precisa de chefe, de general, no qual pessoas se tornam massa de manobra.

Quando na faculdade, fim dos anos 60, a luta contra a ditadura me engajou, foram anos duros, a democracia retornou. Lula contribuiu? Sim. Só a ala radical? Evidente que não. Os anos de chumbo acabaram. 

Nunca me filiei ao PT, mas isso era dado como pressuposto, como condição para opor-se à opressão, como bandeira de luta. Hoje arregimenta, há 40 anos depende de uma única liderança conduzida por um tipo de Duce, há na academia exigência de que se faça o L, quem não faz não é democrata!

Honestamente, há um outro lado. São todos antidemocráticos, fascistas? 

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Para quem quiser conferir: Postagem do dia 19 de março de 2016 "Habermas e o Lulopetismo" com 1601 visualizações.

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