segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Critério para escolha de professor universitário de Filosofia é ser marxista?!

 Algumas semanas atrás recebi e-mail de um ex-colega do Departamento de Filosofia da UFPR, com pedido para que o CAFIL (Centro Acadêmico de Filosofia) sugerisse ao departamento que a escolha do candidato fosse baseada em sua expertise em marxismo.

Ignoro qual fosse a área em que seria aberto o concurso. Seria este o critério justo para a escolha do candidato?!

Candidato algum deveria ser escolhido com base em sua ideologia ou em determinada tendência nem em determinada adesão a tal ou tal "filosofia" política.

Senão vejamos: ser marxista ou ser cristão ou ser positivista ou ser adepto de uma seita ou partido, jamais foi ou será critério para acolher ou não certo professor candidato a uma vaga no Ensino Superior.

A formação acadêmica, a produção científica, os títulos, enfim, os critérios que se encontram facilmente no currículo Lattes, esses são os requisitos justos e apropriados. Isso porque, evidentemente, a depender da área ou da disciplina nas quais se abre a vaga para o concurso, leva-se em conta o currículo para a prova de títulos e a capacidade de preencher os requisitos profissionais para o exercício da área ou disciplina que se encontram vagas, na prova didática.

No caso da Filosofia Moderna, campo no qual Marx se encaixa, há nomes essenciais como Locke, Berkeley, Hume, Kant, Hegel, Rousseau, Nietzsche... Por acaso é necessário ser kantiano ou nietzschiano para ser chamado a participar do concurso? Que eu saiba, não.

Marx, em meio a todos esses pensadores, sequer se destaca por sua contribuição à Filosofia propriamente dita. Com exceção de Filosofia Política, seu nome pouco acrescenta em matéria filosófica. Foi um grande economista? Creio que sim, muito mais do que filósofo. Um influente ideólogo da esquerda, do socialismo e do comunismo? Sem dúvida alguma. Deixou uma herança enorme no quesito político e ideológico? Sim! E paramos por aqui.

A clara e evidente intenção é perpetuar a "marxização" especialmente nos cursos de ciências humanas e por extensão na formação de professores, futuros propagadores da corrente política e ideológica marxista, que é uma das mais pobres de espírito, nula em renovação, esquemática e inculcadora de premissas falsas, a mais corrente, contra o liberalismo. Nem sequer demonstram o que é ser liberal para que se faça o justo contraponto. Locke foi um liberal, Rousseau quando criticou a sociedade desigual não propôs uma marcha ideológica ou política mesmo sendo um crítico da propriedade privada. 

Enfim, a história da filosofia se fez e se faz com nomes ilustres, pensadores abertos que fazem a crítica conceitual, essa sim imprescindível quando se faz ou se ensina Filosofia.


Um comentário:

  1. Cara professoressa, Como sempre suas palavras são certeiras e justas. Muito obrigado por essa elucidação. De fato, há um vício em marxismo nas ciências humanas dentro UFs. Gostaria de pedir uma sua palavra sobre essa disputa em torno da vacina. Seria bom.

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