domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sobre o sentido da existência segundo Nietzsche

Trágico, esse é o conceito que melhor explica o modo como Nietzsche (1844-1900) entende o sentido da existência. Os seres humanos ao longo de sua história inventaram valores que oscilam entre a aceitação, a abnegação, a renúncia, o conformismo e a fraqueza de um lado, e de outro lado a não aceitação, deplorar e renunciar a todos os valores de obediência, a todas as regras herdadas e não avaliadas, à humildade hipócrita, ao "eu sou bonzinho". E por que?
É que a primeira atitude, a do conformismo, é a daquele que encontra desculpa para tudo, ele se justifica apelando para sua "natureza" boa, ele é o cordeiro que o lobo irá engolir.
O animal que representa a outra atitude, a de reavaliação permanente dos valores, sem precisar de nada superior, ou natural, ou inconsciente para justificar sua existência, é a da águia. Ela contempla do alto, não rasteja. Em seu ciclo vital a águia se refugia para se renovar, arranca as penas, as garras e, por último cai o bico. Ela espera que penas, garras e bico renasçam para alçar voo novamente.
O trágico está nessa reavalição dos valores pela "Vontade de Poder". Se eles foram inventados por circunstâncias simplesmente humanas, então devem e podem ser rediscutidos. Se é tudo obra humana, então tudo pode ser reinventado. Trata-se da "genealogia" (um tipo de historicidade) de todos os valores, eles se constituem enraízados nas mais diversas práticas, como, por exemplo, nas trocas, nos mitos, nos hábitos. Não são eternos e nem universais.
O homem novo, o super homem, é forte, ele ama a vida, comemora-a, vive e se alegra com isso. O crepúsculo dos deuses significa a vida do novo homem. Assim, há que comemorar o estar aí, com a vontade como fortaleza, sem curvar sua espinha, altivo.
"Um novo orgulho ensinou-me o meu Eu e eu o ensino aos homens: não deveis mais esconder a cabeça na areia das coisas celestes, mas mantê-la livremente: cabeça terrena, que cria ela mesma o sentido da terra" (Assim falou Zaratustra)

4 comentários:

  1. Belíssima e muito oportuna sua contribuição para o meio intelectual. Admito ser muito prazeroso ler seus artigos e também encantador reconhecer acima de tudo uma mulher, mãe e cidadã do mundo falando-nos de filosofia como ferramenta e forma de vida que pode ajudar.

    Abraço, com meu carinho Charles

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  3. Professora Inês

    Um prazer contactá-la.

    Estou agora seguindo o seu riquíssimo Blog. Sabe por quê?
    Porque a senhora deveria escrever um livro assim intitulado: "FILOSOFIA PARA ANALFABETOS EM FILOSOFIA" (bricadeira).

    Transcrevo aqui um comentário meu no Blog "Alma Acreana":

    "...
    Desculpem-me todos a minha visão tão opaca, tão medíocre, sobre os mais elevados conceitos e abordagens filosóficas do mundo (sobremodo se nos deparamos com Nietzsche), mas desejo dar meus parabéns à Professora Inês pelo enfoque tão simples sobre uma realidade tão complexa, tão profunda e tão viva dentro de nossos seres! De uma forma bem apedeuta, bem rudimentar, questiono-me muito sobre isso. Firmei uma convicção pessoal de que as gerações anteriores nos condenaram a determinadas regras, "realidades", modus vivendi, "verdades", "mentiras", bem-aventuranças, infernos, etc... tudo forjado nas conveniências de indivíduos ou de povos, através das épocas. Somos resultado de uma lei de causa e efeito. Somos uma construção histórica inacabada... Contudo, temos vislumbrado uma tênue luta (presos que somos a verdadeiros grilhões) para mudar de alguma forma algumas dessas "condenações". O pior é que mudamos umas, criando outras.
    Ah! Nem nos daremos conta, mas também nós haveremos de incrementar nossa parcela (para melhor ou para pior?)e remetê-la às gerações futuras. Será que melhoraremos o quinhão de nossa herança? Seremos responsáveis por quais tradições?
    E assim caminhamos...
    Para onde?
    Não sei!!!"
    ....................................

    Caríssima professora,

    Obrigado pela oportunidade de, visitando este seu Blog, fazer-me em contato com novos conhecimentos na busca da sabedoria.

    Abraço.

    Anchieta
    http//blogdoanchieta.blogspot.com

    17 de fevereiro de 2010 08:23

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  4. Oi professora Inês,
    o que me fascina em seus textos é a capacidade de transformar textos difíceis numa linguagem acessível, sem empobrecer o texto nem o filósofo.

    Um forte abraço!

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