Em "Introdução à Filosofia da Ciência" (1a. ed. 1993, 3a. ed. 2003), apresentei um capítulo chamado "Abordagem dialética".
Mostrei os conceitos principais da dialética, a de Hegel e a de Marx/Engels.
Em outros capítulos apresentei a abordagem neopositivista, a funcionalista, a estruturalista e a abordagem pragmatista, bem como a crítica a cada uma dessas perspectivas.
Como entender que a dialética marxista pode e deve ser criticada?
Mostrar que a história evolui por contradição, movimentos em que há luta dos contrários, negação e ultrapassagem, pode até dar um retrato da história em certa perspectiva, a econômica. Mas nem mesmo em termos de economia política o marxismo pode ser método que retrate as mudanças e os fundamentos da economia em suas inúmeras facetas. Lucro, divisão do trabalho, salário, história do capitalismo não encontram na dialética explicações suficientes.
Inserir todos os acontecimentos, sociais e econômicos na história vista como base e ao mesmo tempo como produtora e condutora da ação, tanto a ação de fato como a ação revolucionária, acaba por presumir que só podemos agir em sociedade se essa ação for ao mesmo tempo determinada pelo fator econômico e determinante do futuro. Justamente, uma impossibilidade!
E esse futuro no qual as lutas de classe cessariam e o fruto do trabalho seria apropriado pelo trabalhador, exigiria o regime socialista e culminaria no regime comunista.
Ora, a história mostrou que a produção não cessa, que ela se transforma, que o lucro representa possibilidade de investimento, e, finalmente, que em parte alguma houve uma revolução socialista em que o lucro fosse abolido.
Em termos de ciência, preconizar que fatos sociais são fetiches, significa tratar a realidade social e econômica como embustes. Ou seja, o movimento financeiro, produtivo, industrial, pesquisa científica de ponta, serviriam apenas aos interesses da burguesia, da classe econômica dominante. O cientista social deveria combater essa classe, e mudar o curso da história. É desse o papel que pretendem se incumbir intelectuais e professores marxistas e os que consideram Gramsci como guru.
Pois bem, a história não se resume a luta de classes, não há leis que determinem a história, as mudanças sociais e econômicas seguem padrões que dependem de inúmeros fatores, desde os geográficos, até os culturais, passando pelo avanço (ou não) tecnológico.
As sociedades humanas são desiguais, o capitalismo surgiu de necessidades da vida humana, seus efeitos maléficos podem e devem ser revertidos. Mas não inculcando na cabeça dos alunos uma ideologia. Nem sob o pretexto de que não há neutralidade.
O que há e deve haver é empenho em estudos sérios, bem fundamentados, na exposição de razões e não de preconceitos.
Outro erro do marxismo é o finalismo, considerar que a história tem um enredo com um fim, a revolução socialista.
Perguntem aos russos e chineses se foi a revolução socialista ou comunista que pôs comida no prato e deu emprego.
A fase comunista da URSS foi catastrófica! Mao Tsé Tung assassinou opositores. Há crueldade em vários regimes de força mundo afora. Vide a Venezuela de Maduro, cruel e despótica.
Em resumo, considerar que o reverso na educação brasileira sejam os "ideais" de Olavo de Carvalho soa como algo ridículo diante do grau em que a ideologia de esquerda penetrou em currículos e na pesquisa em ciências sociais.
Usar Olavo de Carvalho significa a tentativa de emplacar o reverso da medalha: Deus, pátria e família no lugar de luta de classes, socialismo e revolução. Mais um véu ideológico.
Do que a educação no Brasil precisa?
QUALIDADE, PESQUISA SÉRIA, PROFISSIONAIS PREPARADOS.
terça-feira, 9 de abril de 2019
terça-feira, 26 de março de 2019
O que é signo?
Bem conhecido é o ditado: "Uma imagem vale mais do que mil palavras".
Quem atentar para o dito acima, de pronto verificará que foram precisos alguns signos para transmitir a mensagem. Millôr Fernandes, com seu humor inteligente observou: "Experimente dizer isso sem palavras".
Outro dia um cartaz em uma floricultura dizia: "Flores dizem tudo o que você precisa expressar". Mais uma mensagem, construída não com imagens, fotos, ícones, ou flores e sim com signos linguísticos.
Devemos a Saussure uma das concepções mais apropriadas de signo. Eles se compõem de significantes orais, os sons, o que ouvimos a cada palavra ou frase, e de significados, o que conseguimos entender. Para explicar o significado, precisamos de outros signos, por sua vez necessariamente compostos com grafismos, que formam as palavras com seu significado.
Assim, se alguém ouve um palavra cujo significado a pessoa desconhece, só captará o signo completo quando souber o que a palavra significa, o que se quer dizer com aqueles puros sons. A sucessão de fonemas se torna então signo completo apenas quando o som se liga por convenção de certa língua com o significado.
Os signos são estruturados de acordo com o que Saussure chamou de "língua", isto é, o sistema de regras que rege toda e qualquer fala de certo idioma.
Sem os signos e as regras sistemáticas, o pensamento seria uma massa desprovida de forma. O sistema da língua permite que o pensamento se articule, se expresse, desde os primeiros sons da criança, até as obras literárias.
Os signos têm valor, quer dizer, podem ser trocados na comunicação linguística. Sempre que alguém explica melhor o que quis dizer, ocorrem essas trocas. A característica da linguagem que usamos na comunicação, é essa capacidade de usar regras e apenas as regras de uma língua, que foram todas elas aprendidas e internalizadas sem que o usuário precisasse de "aulas de Português".
A performance linguística decorre imediatamente do sistema gramatical dominado pelo falante. Ninguém diz em português "livro o compra" e sim "compra o livro". E isso porque no ato de aprender a língua, as regras gramaticais estruturam toda e qualquer emissão.
Seria impossível nos comunicarmos sem esse sistema que regra toda e qualquer fala. Não há como inventar uma gramática, isto é, um sistema linguístico.
E a gramática aprendida nas escolas? Ela é necessária para o desempenho social da língua, é um acréscimo, um auxiliar importante para o domínio da fala e da escrita. Portanto, nada a ver o argumento de alguns linguistas de que todo e qualquer falar vale, que a língua culta é elitista. Neste sentido, precisamos sim de "aulas de Português"
Quem atentar para o dito acima, de pronto verificará que foram precisos alguns signos para transmitir a mensagem. Millôr Fernandes, com seu humor inteligente observou: "Experimente dizer isso sem palavras".
Outro dia um cartaz em uma floricultura dizia: "Flores dizem tudo o que você precisa expressar". Mais uma mensagem, construída não com imagens, fotos, ícones, ou flores e sim com signos linguísticos.
Devemos a Saussure uma das concepções mais apropriadas de signo. Eles se compõem de significantes orais, os sons, o que ouvimos a cada palavra ou frase, e de significados, o que conseguimos entender. Para explicar o significado, precisamos de outros signos, por sua vez necessariamente compostos com grafismos, que formam as palavras com seu significado.
Assim, se alguém ouve um palavra cujo significado a pessoa desconhece, só captará o signo completo quando souber o que a palavra significa, o que se quer dizer com aqueles puros sons. A sucessão de fonemas se torna então signo completo apenas quando o som se liga por convenção de certa língua com o significado.
Os signos são estruturados de acordo com o que Saussure chamou de "língua", isto é, o sistema de regras que rege toda e qualquer fala de certo idioma.
Sem os signos e as regras sistemáticas, o pensamento seria uma massa desprovida de forma. O sistema da língua permite que o pensamento se articule, se expresse, desde os primeiros sons da criança, até as obras literárias.
Os signos têm valor, quer dizer, podem ser trocados na comunicação linguística. Sempre que alguém explica melhor o que quis dizer, ocorrem essas trocas. A característica da linguagem que usamos na comunicação, é essa capacidade de usar regras e apenas as regras de uma língua, que foram todas elas aprendidas e internalizadas sem que o usuário precisasse de "aulas de Português".
A performance linguística decorre imediatamente do sistema gramatical dominado pelo falante. Ninguém diz em português "livro o compra" e sim "compra o livro". E isso porque no ato de aprender a língua, as regras gramaticais estruturam toda e qualquer emissão.
Seria impossível nos comunicarmos sem esse sistema que regra toda e qualquer fala. Não há como inventar uma gramática, isto é, um sistema linguístico.
E a gramática aprendida nas escolas? Ela é necessária para o desempenho social da língua, é um acréscimo, um auxiliar importante para o domínio da fala e da escrita. Portanto, nada a ver o argumento de alguns linguistas de que todo e qualquer falar vale, que a língua culta é elitista. Neste sentido, precisamos sim de "aulas de Português"
quarta-feira, 13 de março de 2019
Olavo de Carvalho, sob o manto da erudição a Filosofia é erodida.
Incomodada com os rumos do Ministério da Educação sob o comando de um assecla de Olavo de Carvalho, resolvi ler algo sobre sua escola filosófica. Tomei por base o ótimo e sério artigo de Martim Vasques da Cunha, publicado na "Gazeta do Povo".
Pude observar que o dito filósofo, é mais um guru que domina seus asseclas sem que seu pensamento represente uma contraposição confiável e bem construída ao esquerdismo. Ambos são extremistas, ao invés de convidarem ao pensar crítico e independente, emitem juízos para apoiar sua posição político-filosófica.
No caso de Olavo de Carvalho, o convencimento e a arrogância o levam a se proclamar único, professor universitário algum teria chance de debater com ele. E pior é que tem razão, pois muitos professores de Filosofia adotam um só filósofo ou uma só doutrina filosófica o que lhes veda o olhar para a História da Filosofia. Mas não é nisso que esse julgamento de O.C. se baseia e sim no seu autoproclamado conhecimento filosófico e literário.
O.C. pretende recuperar o verdadeiro sentido do ser. Que tal ficarmos com Heidegger para essa empreitada? Segundo O.C. Heidegger falhou porque almejou ao sistema total. Errado, Heidegger inseriu o seu próprio pensamento na história do ser.
O.C. diz que se deve ficar com a tensão entre unidade e multiplicidade, mas isso não tem nada de original. Sua "dialética simbólica" que superaria Hegel se baseia em um "modelo celeste", círculos entrelaçados de céus, Platão, inteligência divina, a Filosofia teria que ter uma "disciplina da alma".
Há uma mistura entre filosofia e misticismo, o Espírito faria a síntese. Esse "céu" de O.C. nada fica a dever ao céu redentor do proletariado, as massas operárias no paraíso...
Esse desejo de poder místico explica em parte que seus asseclas sofram um processo de convencimento e não de reflexão independente, de crítica, de uso de conceitos e noções próprios a esse debate inteligente de ideias de que a Filosofia deve se nutrir.
O.C. sofre de delírio de grandeza. Apregoa que ser inteligente é admitir a verdade. Mas qual verdade, como entender esse conceito?
Propõe criar "uma elite intelectual treinada para perceber a verdade" (!)
E o pior é não admitir o contraditório!
Por essas e outras razões é que os seus asseclas atualmente ocupando cargos no Ministério da Educação se vêm às voltas com a necessidade de lidar com dificuldades gritantes que os sistemas de ensino enfrentam em nosso país, em todos os níveis. E não conseguem dar um rumo confiável e necessário ao ensino.
O.C. e cia limitada não representam uma alternativa à doutrinação esquerdista. Trata-se de uma opção tão ideologizante e perigosa quanto à dos marxistas/leninistas/gramscianos.
É preciso urgente recuperar a razão, em todos os sentidos da expressão.
Pude observar que o dito filósofo, é mais um guru que domina seus asseclas sem que seu pensamento represente uma contraposição confiável e bem construída ao esquerdismo. Ambos são extremistas, ao invés de convidarem ao pensar crítico e independente, emitem juízos para apoiar sua posição político-filosófica.
No caso de Olavo de Carvalho, o convencimento e a arrogância o levam a se proclamar único, professor universitário algum teria chance de debater com ele. E pior é que tem razão, pois muitos professores de Filosofia adotam um só filósofo ou uma só doutrina filosófica o que lhes veda o olhar para a História da Filosofia. Mas não é nisso que esse julgamento de O.C. se baseia e sim no seu autoproclamado conhecimento filosófico e literário.
O.C. pretende recuperar o verdadeiro sentido do ser. Que tal ficarmos com Heidegger para essa empreitada? Segundo O.C. Heidegger falhou porque almejou ao sistema total. Errado, Heidegger inseriu o seu próprio pensamento na história do ser.
O.C. diz que se deve ficar com a tensão entre unidade e multiplicidade, mas isso não tem nada de original. Sua "dialética simbólica" que superaria Hegel se baseia em um "modelo celeste", círculos entrelaçados de céus, Platão, inteligência divina, a Filosofia teria que ter uma "disciplina da alma".
Há uma mistura entre filosofia e misticismo, o Espírito faria a síntese. Esse "céu" de O.C. nada fica a dever ao céu redentor do proletariado, as massas operárias no paraíso...
Esse desejo de poder místico explica em parte que seus asseclas sofram um processo de convencimento e não de reflexão independente, de crítica, de uso de conceitos e noções próprios a esse debate inteligente de ideias de que a Filosofia deve se nutrir.
O.C. sofre de delírio de grandeza. Apregoa que ser inteligente é admitir a verdade. Mas qual verdade, como entender esse conceito?
Propõe criar "uma elite intelectual treinada para perceber a verdade" (!)
E o pior é não admitir o contraditório!
Por essas e outras razões é que os seus asseclas atualmente ocupando cargos no Ministério da Educação se vêm às voltas com a necessidade de lidar com dificuldades gritantes que os sistemas de ensino enfrentam em nosso país, em todos os níveis. E não conseguem dar um rumo confiável e necessário ao ensino.
O.C. e cia limitada não representam uma alternativa à doutrinação esquerdista. Trata-se de uma opção tão ideologizante e perigosa quanto à dos marxistas/leninistas/gramscianos.
É preciso urgente recuperar a razão, em todos os sentidos da expressão.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
O que é Filosofia Cristã?
Como se sabe, a influência de Aristóteles na Filosofia Cristã foi significativa. Os escritos de Aristóteles já
eram conhecidos pelos filósofos árabes, e quando chegaram à Europa no período
medieval, acenderam uma acirrada polêmica, pois havia muita discussão entre os
que ensinavam Teologia e os que ensinavam Filosofia nas universidades. O problema era a questão de Deus como criador para os filósofos cristãos diversamente de Aristóteles que havia demonstrado pela razão, não pela fé, que a causa de tudo é o primeiro motor. Por isso os conceitos de Aristóteles foram proibidos. Acontece que seus ensinamentos já vinham sendo estudados e eram convincentes. Daí a proposta de conciliar a doutrina cristã com os conceitos de Aristóteles.
E essa tarefa coube a São Tomás cujos estudos impulsionaram o movimento escolástico, que se iniciara no século IX e que
foi até o século XV. Os filósofos cristãos reinterpretaram os conceitos
filosóficos à luz dos ensinamentos teológicos.
O ponto de partida da filosofia cristã é a noção de causa, todos os seres são causados, se há começo e fim, deve haver uma causa geral, ela determina a essência de cada ser. Chega-se a esses seres por meio da experiência dos sentidos, o conhecimento imediato de todos os seres se dá pela razão natural que pergunta pela causa da perfeição nos seres sensíveis a que ela, razão natural, tem acesso. A resposta é: Deus.
Os seres materiais não podem ter advindo da própria matéria, pois como ensinara Aristóteles, em tudo age uma causa eficiente, quer dizer, que move, que faz com que os seres sejam o que são, sua essência. A matéria não pode gerar a matéria, assim como uma substância não pode ser a sua própria causa eficiente.
Daí a diferenciação feita por São
Tomás entre a existência e a essência dos seres. Como a essência "funciona" nas substâncias, isto é, no cerne dos seres?
A mais determinante de todas as essências, é a de Deus, nele essência e existência formam uma unidade, assim Deus não se diferencia, não sofre determinações como ocorre com as demais espécies. Se disséssemos que Deus existe, deveria ocorrer mudança, se houvesse mudança Deus não poderia ser criador de todas as coisas. Sendo perfeito, não muda nisto ou naquilo.
O nível seguinte é o da realização da essência nos seres dotados de alma ou intelecto. A alma é insubstancial, não depende da matéria, o corpo é apenas o modo pelo qual a alma é a de cada pessoa, ela é a forma do corpo, forma no sentido de Aristóteles (matéria/forma). Para a filosofia cristã a alma é individual e imortal.
Por último, há a essência que determina as substâncias materiais, concretas, que se compõem de matéria e forma,
finitas, sua essência vem da matéria responsável pelas características das espécies e dos indivíduos. Trata-se dos diversos seres em sua variedade, que podem ser reconhecidos e diferenciados uns dos outros.
Na linha da filosofia cristã tomista, não se pode atribuir predicados a Deus, como dizer "Deus é fiel". Não deveria ser o contrário, o crente é fiel a Deus?
Em aberto ficam as questões da infinitude e da eternidade, para uma outra postagem.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
O Ministro da Deseducação
Vélez Rodríguez, atual Ministro da Educação, ao invés de promover os princípios básicos do ensino brasileiro, comete uma série de impropriedades, generaliza, critica o que não conhece, propõe a volta de uma disciplina que desfigura o sentido do que é ensinar e aprender valores.
Não precisamos de moral e civismo nas escolas e sim de ensino com qualidade, com seriedade, com formação e valorização dos professores.
Se é pernicioso impor ideologia marxista ou gramsciana, de nada resolve descambar para o lado oposto e impor uma ideologia de tipo Deus/Pátria/Família, com cheiro de fascismo.
Chega, basta de imposições ideológicas da esquerda, com suas percepções distorcidas da realidade social, histórica e econômica de nossa sociedade.
Basta de enaltecimento de conceitos ultrapassados como luta de classes, demonização do capitalismo, pregação de que a propriedade é um mal.
A produção econômica é obviamente indispensável, e se o capitalismo pode gerar distorções, estas podem e devem ser reguladas pelo Estado e por meio de recursos do próprio sistema produtivo.
O outro lado da moeda:
Qualidade de ensino sim, e isso não requer que se instaurem o que prega o movimento "escola sem partido".
Educação, justamente, não é ter ou não ter partido.
Educação é dispor de meios para instruir, socializar, formar, informar, discutir, levar crianças e jovens a usar da linguagem, de conceitos, à compreensão do mundo em termos de história e geografia locais e globais. Preparar jovens para a vida social, para o trabalho, para saberes e profissões. Despertar o interesse, tornar o processo educacional produtivo, fecundo. Debater ideias e conceitos. Expor, explicar, o que são e como funcionam ciências, técnicas, tecnologias. Dar instrumentos para analisar, sintetizar, usar a inteligência, a linguagem, o pensamento. Capacitar para o futuro pessoal e profissional do jovem.
Meu ponto de vista de professora durante 40 anos: Bolsonaro deveria demitir Vélez Rodrígues. Em tempo, idem a Damares.
Não precisamos de moral e civismo nas escolas e sim de ensino com qualidade, com seriedade, com formação e valorização dos professores.
Se é pernicioso impor ideologia marxista ou gramsciana, de nada resolve descambar para o lado oposto e impor uma ideologia de tipo Deus/Pátria/Família, com cheiro de fascismo.
Chega, basta de imposições ideológicas da esquerda, com suas percepções distorcidas da realidade social, histórica e econômica de nossa sociedade.
Basta de enaltecimento de conceitos ultrapassados como luta de classes, demonização do capitalismo, pregação de que a propriedade é um mal.
A produção econômica é obviamente indispensável, e se o capitalismo pode gerar distorções, estas podem e devem ser reguladas pelo Estado e por meio de recursos do próprio sistema produtivo.
O outro lado da moeda:
Qualidade de ensino sim, e isso não requer que se instaurem o que prega o movimento "escola sem partido".
Educação, justamente, não é ter ou não ter partido.
Educação é dispor de meios para instruir, socializar, formar, informar, discutir, levar crianças e jovens a usar da linguagem, de conceitos, à compreensão do mundo em termos de história e geografia locais e globais. Preparar jovens para a vida social, para o trabalho, para saberes e profissões. Despertar o interesse, tornar o processo educacional produtivo, fecundo. Debater ideias e conceitos. Expor, explicar, o que são e como funcionam ciências, técnicas, tecnologias. Dar instrumentos para analisar, sintetizar, usar a inteligência, a linguagem, o pensamento. Capacitar para o futuro pessoal e profissional do jovem.
***
Rebeldia, comportamentos execráveis de alguns jovens no exterior não se resolvem com Hino Nacional e sim com educação de qualidade!
***
Nota: Meu ponto de vista de professora durante 40 anos: Bolsonaro deveria demitir Vélez Rodrígues. Em tempo, idem a Damares.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
O que é metafísica para Heidegger?
A interrogação metafísica se dá pela pergunta sobre os fundamentos de todos os entes.A questão foi abordada por Heidegger na conferência de 1929 “Que é Metafísica?” e envolve a totalidade do problema e até aquele que questiona, quer dizer, o homem em sua situação existencial. Por exemplo, a própria situação de Heidegger como professor, e junto dele outros
pesquisadores nas diversas áreas da ciência. Nessas condições, o que surge são os entes, quer dizer, aquilo que é pesquisado. Nunca surge o nada. Justamente, se o nada não aparece, é porque de certa forma precisou ser
considerado.
O que leva à consideração metafísica do nada que conduz à experiência com a negação. Quando nos angustiamos, sentimos algo parecido com nada. Angústia de que? Do nada... “A angústia manifesta o nada”, diz Heidegger na obra mencionada acima. Quando passa a angústia, parece que foi por nada. Esse assédio do nada
na angústia, permite compreender a famosa afirmação, o nada “nadifica”, quer dizer, só podemos
captar os entes em si por meio do nada, isto é, do que eles não são.
O homem, ser-aí no mundo, existe como que suspenso no nada, e essa suspensão dentro do nada permite transcender tudo o que há, o ente em sua totalidade. Assim, pode-se abarcar esse todo, os limites, negar, e nesse dizer não, ser livre. Ser livre é dizer não, e isso difere da mera proibição. O nada nos conduz como que a um abismo, o de nossa radical finitude.
Em tempo de pensamento pós--metafísico, Heidegger retorna à Metafísica e lhe dá outro sentido: “Metafísica é o perguntar além do
ente para recuperá-lo enquanto tal, em sua totalidade, para a compreensão”
(1979, p. 43). Difere de outras metafísicas, como a da filosofia cristã, a criação do mundo a
partir do nada. Ora, Deus eterno e absoluto exclui totalmente o nada, quer dizer, o absoluto é incompatível com o nada. Esse impasse é superado por Heidegger com a pergunta, de onde vem a negação? Da essência mesma do homem, seus questionamentos o põem em contato com o
ente, suspenso no nada.
Nossa própria essência, enquanto ser-aí em situação, é indagar, e indagar é fazer metafísica. Existir é
já estar posto dentro da metafísica, de onde brota a mais essencial das questões: “Por que há o ente e não antes o nada?"
Cada um de nós pode ensaiar sua resposta...
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
O que é pensamento?
Quais são os sinônimos na língua portuguesa para "pensamento"?
Raciocínio, mente, ideia, abstração, reflexão, inteligência, alma, espírito, e outros que o leitor pode acrescentar.
Interessante observar que termos como "cérebro" não são sinônimos em muitos contextos, como o médico/biológico, por se referirem a algo físico. Pensamento são apreendidos, cérebros nunca...
Outra observação: sem o cérebro não se pode pensar, é claro!
Então surge um problema, como algo físico produz algo mental?!
Essa dificuldade levou a maioria dos filósofos a distinguir radicalmente o corpo físico do pensamento impalpável, abstrato, portanto, incorpóreo. A relação corpo/alma vem de Platão, passa pela filosofia medieval, sofre algum abalo com o empirismo inglês, é reforçada por Descartes, se sofistica com Kant e se transforma com os filósofos que adotaram a hipótese da linguagem como decifração para a oposição material/mental.
Se a linguagem possibilita pensar, o cérebro com suas regiões e suas sinapses é condição necessária.
Mas então o que ou melhor, como pensamos?
Certos animais reagem, aprendem e memorizam. Mas não falam...
Assim, o tipo de pensamento exclusivamente humano vem de algo mais complexo, a capacidade de significação, quer dizer, de usar signos, símbolos, grafismos, imagens, códigos (braile, por exemplo).
"Eu penso" é uma expressão verbal, com significado e com ela alguém quer dizer algo em certo contexto e situação. Ao escrever esta página eu penso, raciocino, uso a memória, meus conhecimentos com o propósito de expor algo a alguém, que eu possa ser compreendida.
Calados pensamos, sonhamos, nos preocupamos, desejamos, criamos, duvidamos, chegamos a conclusões. Todas essas atividades são fruto de cérebro, linguagem, aprendizado, situações pessoais, ambiente, e a miríade de circunstâncias que nos fazem ser alguém.
Comparemos o artista escrevendo sua obra prima com alguém que sofre sob efeito de drogas, álcool, miserabilidade, escravo, dependente, sem possibilidade de reagir.
A que circunstância um e outro respondem?
Comparemos um bebê com suas reações a estímulos e seu rápido aprendizado com a velhice ao ser sugada pelo Alzeimer. Chegaremos à conclusão de que somos constituídos por essas e muitas outras condições. Assim deixaremos de lado a divisão platônica corpo/alma e veremos os seres humanos em sua diversidade e complexidade.
Raciocínio, mente, ideia, abstração, reflexão, inteligência, alma, espírito, e outros que o leitor pode acrescentar.
Interessante observar que termos como "cérebro" não são sinônimos em muitos contextos, como o médico/biológico, por se referirem a algo físico. Pensamento são apreendidos, cérebros nunca...
Outra observação: sem o cérebro não se pode pensar, é claro!
Então surge um problema, como algo físico produz algo mental?!
Essa dificuldade levou a maioria dos filósofos a distinguir radicalmente o corpo físico do pensamento impalpável, abstrato, portanto, incorpóreo. A relação corpo/alma vem de Platão, passa pela filosofia medieval, sofre algum abalo com o empirismo inglês, é reforçada por Descartes, se sofistica com Kant e se transforma com os filósofos que adotaram a hipótese da linguagem como decifração para a oposição material/mental.
Se a linguagem possibilita pensar, o cérebro com suas regiões e suas sinapses é condição necessária.
Mas então o que ou melhor, como pensamos?
Certos animais reagem, aprendem e memorizam. Mas não falam...
Assim, o tipo de pensamento exclusivamente humano vem de algo mais complexo, a capacidade de significação, quer dizer, de usar signos, símbolos, grafismos, imagens, códigos (braile, por exemplo).
"Eu penso" é uma expressão verbal, com significado e com ela alguém quer dizer algo em certo contexto e situação. Ao escrever esta página eu penso, raciocino, uso a memória, meus conhecimentos com o propósito de expor algo a alguém, que eu possa ser compreendida.
Calados pensamos, sonhamos, nos preocupamos, desejamos, criamos, duvidamos, chegamos a conclusões. Todas essas atividades são fruto de cérebro, linguagem, aprendizado, situações pessoais, ambiente, e a miríade de circunstâncias que nos fazem ser alguém.
Comparemos o artista escrevendo sua obra prima com alguém que sofre sob efeito de drogas, álcool, miserabilidade, escravo, dependente, sem possibilidade de reagir.
A que circunstância um e outro respondem?
Comparemos um bebê com suas reações a estímulos e seu rápido aprendizado com a velhice ao ser sugada pelo Alzeimer. Chegaremos à conclusão de que somos constituídos por essas e muitas outras condições. Assim deixaremos de lado a divisão platônica corpo/alma e veremos os seres humanos em sua diversidade e complexidade.
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