quarta-feira, 8 de abril de 2026

O eterno Platão

 Nos diálogos, Platão reflete e sistematiza conceitos clássicos da Filosofia, que se eternizaram. Sim, pois a própria noção de ideia e de que as ideias são o fundamento do pensar e do ser, nos inspiram.

Platão foi aluno de Sócrates, fundou uma escola, nela foi professor por 20 anos, professor inclusive do mandante de Siracusa, Dionísio. Conheceu o exílio, foi deportado. Cabe notar a crucial importância de ser mestre-filósofo, ensinar Filosofia abre a porta para o saber, para a criação conceitual, para visão de mundo.

A visão de totalidade, a alma imortal fonte e receptáculo de todas as ideias, e que sem essas ideias nada poderíamos conhecer, nada poderíamos saber, portanto, que há fundamento, são noções críticas ao modo de ver dos céticos e relativistas. Saber é ir a essas ideias-conceitos, rememorar, entrar em sintonia com elas, ir além do mundo sensível para atingir sabedoria, a que se oferece no mundo inteligível, quer dizer, no mundo dos conceitos.

Como aceder a esse mundo das ideias? Começa-se pelo contato cotidiano, por exemplo, admirar a beleza de algo, daí abstrair para a beleza das coisas sensíveis, para a beleza de todos os corpos, nos costumes, nas leis morais, e, por meio desse tipo de abstração para a beleza incorpórea, a beleza em si mesma. Essa contemplação somente se dá pela alma imortal, pois ela é da mesma natureza da ideia. As ideias são imutáveis, são a essência de todas as coisas.


Nasceu em Atenas 428-427 a. C.- morreu aos 80 anos


Mas, como é possível que algo abstrato, imutável, essencial constitua todas as coisas sensíveis?

O deus Demiurgo moldou os seres, modelou os seres, os constituiu com base nas ideias, nos conceitos o mundo tal como o conhecemos. Esse mundo, imperfeito e mutável, se esse mundo sensível não pudesse ser abstraído, não poderíamos conhecer. A forma, a essência, o imutável servem como que de formatação, para usar um conceito atual, que "enquadra" a diversidade em uma unidade, unidade essa que permite inteligir, compreender, acessar a ideia de algo. Assim, por exemplo, entender que "cadeira" se refere não a essa ou aquela cadeira, mas ao conceito, à ideia. 

Portanto, a noção de alma como repositório de todos os conceitos, de todas as ideias que foram contempladas por ela, alma imortal, quando inteligimos  bondade, verdade, perfeição, beleza, isso se deve à contemplação da alma. Da alma inteligível, superior à alma apetitiva e à alma passional. 

Platão separa o que pode ser apreciado pelos nossos apetites sensíveis, pelas nossas paixões, do que a alma superior, inteligível, conceitua, abstrai, e conhece, por isso mesmo é a que nos comanda (ou que deveria comandar?).

O mestre ensina que somos capazes de virtude, de conhecimento, de inteligibilidade, de compreensão. Que não somos escravos de nossos apetites. Às virtudes da alma correspondem as da cidade, a de uma república ideal, sob o comando virtuoso dos governantes sábios, abaixo na hierarquia estão os guardiões aptos a nos defender, finalmente os artesãos, os fabricantes.

A alma racional no comando! Elitista, Platão seria proclamado elitista pelos sábios de plantão...

Se pensarmos que vivemos em um mundo invertido, acéfalo, dominado pelos sentidos, consola um pouco saber que o mundo ideal pode ao menos ser contemplado, lá no horizonte.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Minha homenagem aos 100 anos do nascimento de Foucault em blogger foucaultvive



Ao pesquisar revistas que solicitaram artigos sobre Michel Foucault, os chamamentos me desestimularam. Então pensei, por que não criar um blog apenas com alguns de meus artigos, os que não foram publicados?

Foi o que eu fiz. Atenção, ler de baixo para cima, pois as postagens estão em ordem inversa. Desculpem a confusão.

A página na internet
blog com o título foucaultvive https://www.blogger.com/blog/posts/2415686318171152928

http://www.blogger.com/blog/posts/2415686318171152928