Nos diálogos, Platão reflete e sistematiza conceitos clássicos da Filosofia, que se eternizaram. Sim, pois a própria noção de ideia e de que as ideias são o fundamento do pensar e do ser, nos inspiram.
Platão foi aluno de Sócrates, fundou uma escola, nela foi professor por 20 anos, professor inclusive do mandante de Siracusa, Dionísio. Conheceu o exílio, foi deportado. Cabe notar a crucial importância de ser mestre-filósofo, ensinar Filosofia abre a porta para o saber, para a criação conceitual, para visão de mundo.
A visão de totalidade, a alma imortal fonte e receptáculo de todas as ideias, e que sem essas ideias nada poderíamos conhecer, nada poderíamos saber, portanto, que há fundamento, são noções críticas ao modo de ver dos céticos e relativistas. Saber é ir a essas ideias-conceitos, rememorar, entrar em sintonia com elas, ir além do mundo sensível para atingir sabedoria, a que se oferece no mundo inteligível, quer dizer, no mundo dos conceitos.
Como aceder a esse mundo das ideias? Começa-se pelo contato cotidiano, por exemplo, admirar a beleza de algo, daí abstrair para a beleza das coisas sensíveis, para a beleza de todos os corpos, nos costumes, nas leis morais, e, por meio desse tipo de abstração para a beleza incorpórea, a beleza em si mesma. Essa contemplação somente se dá pela alma imortal, pois ela é da mesma natureza da ideia. As ideias são imutáveis, são a essência de todas as coisas.
Nasceu em Atenas 428-427 a. C.- morreu aos 80 anos
Mas, como é possível que algo abstrato, imutável, essencial constitua todas as coisas sensíveis?
O deus Demiurgo moldou os seres, modelou os seres, os constituiu com base nas ideias, nos conceitos o mundo tal como o conhecemos. Esse mundo, imperfeito e mutável, se esse mundo sensível não pudesse ser abstraído, não poderíamos conhecer. A forma, a essência, o imutável servem como que de formatação, para usar um conceito atual, que "enquadra" a diversidade em uma unidade, unidade essa que permite inteligir, compreender, acessar a ideia de algo. Assim, por exemplo, entender que "cadeira" se refere não a essa ou aquela cadeira, mas ao conceito, à ideia.
Portanto, a noção de alma como repositório de todos os conceitos, de todas as ideias que foram contempladas por ela, alma imortal, quando inteligimos bondade, verdade, perfeição, beleza, isso se deve à contemplação da alma. Da alma inteligível, superior à alma apetitiva e à alma passional.
Platão separa o que pode ser apreciado pelos nossos apetites sensíveis, pelas nossas paixões, do que a alma superior, inteligível, conceitua, abstrai, e conhece, por isso mesmo é a que nos comanda (ou que deveria comandar?).
O mestre ensina que somos capazes de virtude, de conhecimento, de inteligibilidade, de compreensão. Que não somos escravos de nossos apetites. Às virtudes da alma correspondem as da cidade, a de uma república ideal, sob o comando virtuoso dos governantes sábios, abaixo na hierarquia estão os guardiões aptos a nos defender, finalmente os artesãos, os fabricantes.
A alma racional no comando! Elitista, Platão seria proclamado elitista pelos sábios de plantão...
Se pensarmos que vivemos em um mundo invertido, acéfalo, dominado pelos sentidos, consola um pouco saber que o mundo ideal pode ao menos ser contemplado, lá no horizonte.