Trump e Xi Jinping se encontraram (24/set/2026) na Casa Branca para discutirem sobre o avanço da IA, o que por si só demonstra a preocupação com o futuro da tecnologia e, consequentemente da humanidade.
No interior da Mongólia (ermo e longínquo território chinês) empresas chinesas constroem estruturas gigantes de plataformas (data centers) como a da Huawei, ByteDance, Deepseek, concorrentes das empresas americanas.
Ao lado dessas construções há os cultivadores de batata, tostados pelo sol, pele enrugada, eles contrastam com os operários que erguem as plataformas em seus capacetes amarelos. Os agricultores se sentem ameaçados, talvez percam seu emprego, um deles afirma que sequer usa a internet. Outros sabem que é inevitável o governo chinês construir prédios gigantes que abrigarão equipamentos responsáveis pela produção e reprodução de dados para alimentar a IA, imprescindível nas indústrias, na educação, na sociedade e seu futuro.
A China forma cinco vezes mais engenheiros do que os EUA, o mais irônico é que parte deles proveio de alguma universidade americana de ponta para atuar nos centros de dados chineses. A concorrência é forte, o encontro em Washington de Trump e Xi não implica em colaboração e sim em explicitação da guerra do mais forte. (Fonte: reportagem de Laura Bircker para a BBC, 22 de setembro, intitulada "Futuro Tecnológico")
Em excelente documentário, a Netflix traça a trajetória dos cérebros responsáveis pela invenção e pela expansão ilimitada da IA, resultado de máquinas que ultra processam dados, a mais alta tecnologia jamais inventada para replicar, instruir e dominar todo tipo de conhecimento, de arte, de comunicação, expandi-los a partir de dados infinitos recolhidos por meio, inicialmente, de escaneamento e digitalização de todos os conteúdos de tudo o que se publicou, conectá-los para alimentar infinitas operações, informar a respeito de tudo o que for suscetível de cálculo, operações, previsões. Capacitar diagnóstico, facilitar a pesquisa, invenções, cura de doenças, armas, coordenação do trânsito, direção de veículos, robótica, controle de pragas na agriculta, etc. etc. Isso tudo e mais o que se puder imaginar, em expansão infinitesimal. O contraste entre plantadores de batata na longínqua Mongólia, temerosos de perder seu sustento e a engenharia das plataformas lá sendo construídas, que, aliás demandam água em abundância retrata nossas atuais condições.
Data centers sendo construídos na Mongólia, China.
No documentário da Netflix, um rapaz preocupado com o futuro de seu filho que vai nascer, entrevista diversos criadores de conteúdo, há os que preveem futuro sombrio e mesmo o fim da humanidade como nós a conhecemos; os que são otimistas, a IA revoluciona e facilita a vida em todos os sentidos; um terceiro grupo dos que consideram que, como toda a invenção, pode ser usada para nosso bem ou nosso mal.
Estruturas, as mais sofisticadas e seguras, podem colapsar. Entre os desenvolvedores dos programas há os que consideram provável que grande parte da humanidade seja exterminada.
Mas bebês nascem, o entrevistador dos gênios da IA se mostra um tanto aliviado, criará seu filho, irá educá-lo em uma sociedade "operacional" digamos assim, revolucionária. Isso não exclui as enormes dificuldades ambientais, sociais e econômicas que, certamente IA alguma aliviaria. Urge a responsabilização dos governos, concluem os cientistas.
Entretanto, a criatura pode dominar o criador, cenários de guerra de extermínio por obra e graça da própria IA que agiganta a si própria, ilustram à perfeição nossos dilemas, o que nos aguarda.
Será possível produzir também batatas?


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