quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A esquerda que perdeu o rumo e o prumo

 Uma das teses do marxismo, que é a máxima representação da esquerda, está a do materialismo histórico, a história vista em suas contradições.

Outra tese é a da dialética, significa que os movimentos históricos se dão na economia, no trabalho, nas transações, e que as ideologias e crenças são um véu de ignorância, um apanágio do tipo pão e circo para manter as consciências alienadas, obedientes, cegas. A esquerda, para ser minimamente coerente, deveria expor que uma de suas teses a ser sustentada para não inverter nem deturpar o marxismo, é o ATEÍSMO, sim, nada de crença, de mitos, de imagens, de reverência ao sobrenatural. Materialismo dialético implica em superação de contrários, a história sendo progressiva, portanto, o conservadorismo fica de fora. daí ser gritante a atual contradição representada pela defesa oportunista de crença religiosa, de defesa de santas, de imagens, de símbolos religiosos.

Outro aspecto é o do esclarecimento, o dar razões, o mostrar, o demonstrar e não a adesão oportunista. A história é viva, o passado e o presente representam movimento, não ficam congelados à mercê do primeiro chefete que se proclama iluminado. Daí o desvendamento das ideologias, a denúncia do uso explorador da política.

O que mudou desde o século 19 quando surgiram as teses marxistas até o século 21? Guerras mundiais, economia globalizada, informação contínua e multifacetada, tecnologia avançada, velocidade e instantaneidade da comunicação, confronto e debate de ideias e propostas, esclarecimento, mobilidade social e econômica. Essas mudanças deveriam conduzir o progressismo da esquerda para lutas por justiça social, pela consolidação do Estado de direito, pelas constituições, pela transparência e liberdade de opinião, pelas eleições livres. 

O que se vê?

A religiosidade explorada até o limite da insanidade. Pessoas que se apegam às mensagens ralas, inverídicas, a repetição nauseante de fakes respaldadas pela corte suprema, a defesa de candidatos que expoliam o direito à informação, uma "esquerda" que se recusa interesseiramente em pôr um fim à desinformação.




"Duas vezes o presidente tirou o Brasil do mapa da fome", gritam a plenos pulmões. Se tirou da primeira vez, não o fez adequadamente, pois precisou tirar o Brasil do mapa da fome pela segunda vez! E por aí afora, defesa do indefensável, esquerda sem rumo, sem poder para argumentar contra o conservadorismo. Enquanto isso os conservadores nadam à vontade, o que é lastimável.