É paradoxal que o sentido da vida dependa de seu reverso, a morte. A partir do modo como pessoas e culturas encaram, valorizam, compreendem, aceitam ou rejeitam a morte é que a vida passa a fazer sentido. Assim, para os que acreditam na vida pós-morte, a perspectiva com que veem a existência é a de seu prolongamento, o que fazem nesta vida leva ao prêmio ou castigo na outra.
Para aqueles a quem importa a atual existência, o sentido precisa ser construído, a responsabilidade é apenas pessoal, as escolhas são feitas em função de seu projeto de vida. Segundo Sartre (existencialismo francês) estamos condenados a ser livres, a carga das escolhas é algo de que apenas podemos fugir pela má-fé, quer dizer, negando para si mesmo a total e livre responsabilidade de escolher. Todos aqueles que não assumem seu projeto vital, ou que sequer pensaram na possibilidade de ter um projeto para dar sentido a sua vida, camuflam, escondem, protelam, exigem que os outros tomem decisões no lugar deles; ou então consideram que bens possam satisfazer completamente seus desejos.
O poço dos desejos não tem fundo, compreender e aceitar que a morte é o limite inexorável transforma a perspectiva com que se lida com os desejos.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
O que é relativismo?
O primeiro filósofo relativista foi Protágoras, para quem o homem é a medida de todas as coisas, quer dizer, o que cada um pensa, sente, conhece pertence a cada um, é próprio daquela determinada pessoa.
Ao longo da história da filosofia houve vários filósofos relativistas, o que há de comum a eles é a doutrina de que tudo muda com a história, com as culturas, com a diversidade de atividades de grupos, indivíduos, sociedades.
A pergunta é, como então as pessoas e as culturas se entendem, se comunicam?
Através de signos e línguas que podem ser traduzidos e interpretados, através de tipos diversos de comunicação que nos permitem compreender e aceitar ou não valores e comportamentos de outros.
Em comum a todas as culturas há aquilo que Wittgenstein chamou de solo comum, que não precisa ser posto em dúvida sem pôr em risco as formas de vida humanas. Por exemplo, duvidar de que temos um corpo, de que a Terra existe há milhões de anos, de 2+2=4, não faz nenhum sentido!
Mas pensar que há verdades absolutas e que elas ficariam livres de questionamento, é também uma exigência absurda.
Vemos o mundo de nosso ponto de vista, o que implica que o vemos, que o interpretamos, que vivemos situações que nos mudam e que mudam o que nos cerca.
Ao longo da história da filosofia houve vários filósofos relativistas, o que há de comum a eles é a doutrina de que tudo muda com a história, com as culturas, com a diversidade de atividades de grupos, indivíduos, sociedades.
A pergunta é, como então as pessoas e as culturas se entendem, se comunicam?
Através de signos e línguas que podem ser traduzidos e interpretados, através de tipos diversos de comunicação que nos permitem compreender e aceitar ou não valores e comportamentos de outros.
Em comum a todas as culturas há aquilo que Wittgenstein chamou de solo comum, que não precisa ser posto em dúvida sem pôr em risco as formas de vida humanas. Por exemplo, duvidar de que temos um corpo, de que a Terra existe há milhões de anos, de 2+2=4, não faz nenhum sentido!
Mas pensar que há verdades absolutas e que elas ficariam livres de questionamento, é também uma exigência absurda.
Vemos o mundo de nosso ponto de vista, o que implica que o vemos, que o interpretamos, que vivemos situações que nos mudam e que mudam o que nos cerca.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
O que é niilismo?
Um aluno me perguntou há algumas semanas atrás o que é niilismo. O termo vem no latim "nihil", que significa "nada". O niilista não é um pessimista.
O pessimista é um derrotista, nada presta, tudo é cinza, o futuro é negro, ele próprio é um impotente.
Já o niilista, pelo contrário, sabe reconhecer que há limite, que há sofrimento, morte; para ele não faz sentido procurar uma ordem universal que justifique a existência de todas as coisas.
Mas isso não o torna fraco, isso o fortalece e o encoraja, o torna senhor de si, pois ele não precisa se curvar para nada, ele é um espírito livre, não precisa de mitos, de fantasias, de ideologias. Como tudo é invenção humana, como em tudo há a marca do homem, em tudo há essa limitação intransponível, a de que podemos muito pouco.
Assim, o niilista não é impotente justamente porque vê a partir de uma perspectiva, a do alto, a da montanha, a nossa insignificância.
O pessimista é um derrotista, nada presta, tudo é cinza, o futuro é negro, ele próprio é um impotente.
Já o niilista, pelo contrário, sabe reconhecer que há limite, que há sofrimento, morte; para ele não faz sentido procurar uma ordem universal que justifique a existência de todas as coisas.
Mas isso não o torna fraco, isso o fortalece e o encoraja, o torna senhor de si, pois ele não precisa se curvar para nada, ele é um espírito livre, não precisa de mitos, de fantasias, de ideologias. Como tudo é invenção humana, como em tudo há a marca do homem, em tudo há essa limitação intransponível, a de que podemos muito pouco.
Assim, o niilista não é impotente justamente porque vê a partir de uma perspectiva, a do alto, a da montanha, a nossa insignificância.
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