O que se entende por princípios éticos?
Pelo lado sociológico, entram em cena os costumes e tradições de um povo, de uma cultura e de uma sociedade.
Pelo lado moral, entram em cena a educação recebida da família, da escola, dos credos religiosos, dos ensinamentos e exemplos de vida.
Pelo lado filosófico, entram em cena as bases de atos éticos diferentemente de ações e práticas que visam resultados imediatos. Ninguém faz perguntas sobre a ética de uma receita de bolo, mas pode e deve questionar sobre as intenções do confeiteiro ou da dona de casa (casos extremos como envenenar alguém, até os mais corriqueiros, como bajular o chefe de departamento...). Pode-se igualmente questionar eticamente o modo como os ingredientes foram produzidos (mais uma vez um caso extremo como o de trabalho escravo), transportados, embalados, comercializados (por exemplo, vender produtos com prazo de validade vencido).
Essas são questões éticas que envolvem a sociedade como um todo em especial a ética na política. Raros são os personagens íntegros, política e politicagem se confundem. Do lado da ética ambiental estão envolvidas desde a mudança climática até as pesquisas científicas, desde movimentos que se valem de financiamento e de repercussão na mídia, até a conscientização em escolas sobre o problema do lixo.
Por que pessoas que sabem perfeitamente do custo ambiental que é deixar lixo na praia, ainda assim desprezam o descarte correto?
Essa é uma questão ética, orientar suas ações pelo que é válido segundo um princípio da universalidade: vale para todos e eu, minha pessoa individualmente, faço parte dessa universalidade.
O antiético seria usar subterfúgios como "só hoje não", "por que vou fazer se outros não fazem?", "Eu jogo papel na rua e fico tranquilo pois sei que nem todos fazem", e assim por diante.
Não há desculpa possível pelo não conhecimento, pela não educação, pode-se dizer que toda a sociedade é esclarecida, alertada, ignorar não é mais desculpa hoje em dia. E isso sem mencionar as infrações de trânsito! Sinalizar é obrigatório, mas é relegado por muitos.
O outro lado da moeda são os princípios éticos desprezados pelo poder público, e os exemplos são múltiplos, escandalosos, notórios e, ainda assim, justificados ou mesmo negados.
Negar, ignorar, justificar, ou na linguagem popular, enrolar é fácil e uma das razões mais fortes é a das consequências desses atos antiéticos passar pela peneira da indiferença, e, claro, da impunidade. Alerta-se para essa última, mas passa-se por cima de algo impossível de punir e de avaliar. A indiferença, o dar de ombros, a falta de princípios éticos, ou seja, um grau de consciência do que é o bem geral e para cada indivíduo.
Vaidade e fama falam muito mais alto do que integridade e correção.
Uma ressalva, quando escrevi acima "esclarecida", não foi no sentido kantiano de plena autonomia e responsabilidade, agir como se cada ato pudesse se tornar exemplo para todos.
A falta de "esclarecimento" (Erklärung) parece ser estado permanente de nossa sociedade, mais grave em sociedades não democráticas.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
terça-feira, 26 de novembro de 2019
O que é a ética dos atos de liberdade para Foucault? (Ainda sobre as práticas para uma vida feliz)
Foram as pesquisas sobre o pensamento antigo que levaram Foucault a voltar-se para a ética.O que chamou a atenção do filósofo foi a diferença entre o "conhece-te ati mesmo" e o cuidado consigo mesmo. O conhecer-se a si mesmo é o oposto da ascese cristã, quer dizer, do acesso a si o qual paradoxalmente significava a renúncia de sua própria pessoa, que ficaria sob tutela de outro, ao qual devia-se obediência.
A ética antiga propõe algo diverso, uma "construção de si", entre os filósofos cínicos cultivavam-se práticas de ascetismo que levavam a provar sua resistência, sua coragem e força (não no sentido físico).
Recuando a Platão, um dos conceitos-chave é o da "vida verdadeira", sendo que verdade neste contexto não se identifica com verdade de enunciados ou de proposições, e sim a dos modos de conduta: não dissimulação no modo de falar, veracidade para evitar opiniões e aparência, adoção de um discurso reto, em conformidade com as leis, e que não possa ser revertido ou derrotado.
Na concepção platônica, seria o verdadeiro amor, autêntico, incorruptível, aquele da verdadeira vida.
Para Sócrates, cuidar de si é cuidar de sua alma em oposição aos cuidados com o corpo. Trata-se de uma metafísica, a da alma que é o fundamento ontológico do ser do homem, e daí provêm as regras de conduta. "Cuidar de si", "ocupar-se consigo", essa é a temática de Sócrates, o permanente e completo exame de si, o cuidado consigo.
Para que conclusões Foucault foi levado com estes estudos detalhados da cultura antiga?
Seu propósito foi evidenciar o quanto somos devedores de nossa própria cultura, em que medida ela se enraíza na cultura grega e como esta se transforma na cultura cristã, que radicaliza a noção do exame de si, mais particularmente, do exame de consciência.
O raciocínio de Foucault é o seguinte:
Se foram inventados métodos e regras para nos constituirmos como sujeitos pensantes e responsáveis, esse é um legado histórico. Poderia ter sido tudo muito diferente, portanto, podemos inventar novos modos de nos constituirmos, de nos transformarmos, de aceder ao nosso "interior", de analisar, ou melhor, de criar algo diverso das análises que implicam em confessar aos que são capazes de nos diagnosticar, e sermos mais livres e criativos.
Daí uma ética dos atos de liberdade, capacidade de aderir ou não em total consonância com nossos próprios valores e propósitos. Ganhar uma autonomia tal que ela seja um tipo de garantia de que nosso agir seja movido e motivado pela recusa do que está aí, pronto, tomado como evidente, obrigatório.
Difícil mas não impossível modo de ver e de viver, livre, liberto e autêntico.
Pergunte a si mesmo: as coisas precisam realmente ser assim?!
Ou posso mudar algo???
A ética antiga propõe algo diverso, uma "construção de si", entre os filósofos cínicos cultivavam-se práticas de ascetismo que levavam a provar sua resistência, sua coragem e força (não no sentido físico).
Recuando a Platão, um dos conceitos-chave é o da "vida verdadeira", sendo que verdade neste contexto não se identifica com verdade de enunciados ou de proposições, e sim a dos modos de conduta: não dissimulação no modo de falar, veracidade para evitar opiniões e aparência, adoção de um discurso reto, em conformidade com as leis, e que não possa ser revertido ou derrotado.
Na concepção platônica, seria o verdadeiro amor, autêntico, incorruptível, aquele da verdadeira vida.
Para Sócrates, cuidar de si é cuidar de sua alma em oposição aos cuidados com o corpo. Trata-se de uma metafísica, a da alma que é o fundamento ontológico do ser do homem, e daí provêm as regras de conduta. "Cuidar de si", "ocupar-se consigo", essa é a temática de Sócrates, o permanente e completo exame de si, o cuidado consigo.
Para que conclusões Foucault foi levado com estes estudos detalhados da cultura antiga?
Seu propósito foi evidenciar o quanto somos devedores de nossa própria cultura, em que medida ela se enraíza na cultura grega e como esta se transforma na cultura cristã, que radicaliza a noção do exame de si, mais particularmente, do exame de consciência.
O raciocínio de Foucault é o seguinte:
Se foram inventados métodos e regras para nos constituirmos como sujeitos pensantes e responsáveis, esse é um legado histórico. Poderia ter sido tudo muito diferente, portanto, podemos inventar novos modos de nos constituirmos, de nos transformarmos, de aceder ao nosso "interior", de analisar, ou melhor, de criar algo diverso das análises que implicam em confessar aos que são capazes de nos diagnosticar, e sermos mais livres e criativos.
Daí uma ética dos atos de liberdade, capacidade de aderir ou não em total consonância com nossos próprios valores e propósitos. Ganhar uma autonomia tal que ela seja um tipo de garantia de que nosso agir seja movido e motivado pela recusa do que está aí, pronto, tomado como evidente, obrigatório.
Pergunte a si mesmo: as coisas precisam realmente ser assim?!
Ou posso mudar algo???
quinta-feira, 31 de maio de 2018
A sabedoria socrática
Quem se interessa pelo poder da Filosofia, deve recorrer ao pensamento de Sócrates. A argumentação do filósofo é simples, direta, compreensível e a fina ironia é usada para destruir ilusões.
Ele é um questionador, desestabiliza crenças adotadas sem fundamentação, e nem precisa de floreios ou meias palavras.
A famosa doutrina da douta ignorância, se baseia na afirmação: "Só sei que nada sei". Há um paradoxo tanto em ser ignorante e ao mesmo tempo sábio (douto) quando em afirmar que sabe nada saber. Ora, então sabe, pelo menos isso: que nada sabe.
Mas as lições socráticas são compreensíveis, basta que nos desembaracemos das aporias e das armadilhas da lógica.
O filósofo almeja aprender sempre e sua sabedoria reside em deixar de lado a arrogância, a pretensão de ser portador da verdade, e assim deixar o campo livre a quem quiser percorrer.
O pensador lavra o campo, prepara o terreno, mas as sementes devem ser lançadas tanto pelo mestre como pelo aprendiz.
As colheitas serão sazonais, não acabarão e para tal a aprendizagem deve ser permanente. Mas, se o caminho escolhido for a da vaidade, do saber total e definitivo que ao invés de argumentar só tenta dissuadir, influenciar, empacotar o pensar em caixas fechadas prontas para o uso, em geral de ideologias fáceis -, então a reflexão filosófica congela.
A retidão e a firmeza moral, a vida exemplar, o ensino que desconstrói certezas absolutas, levou Sócrates à condenação por ter corrompido a juventude. A questão é que Sócrates incomodava políticos de Atenas, seus discursos punham a nu a hipocrisia, o filósofo desmascarava as segundas intenções, o que sempre perturba os medíocres. A estes não adiante colocar-lhes espelhos. Eles só veem o que querem ver.
Diz Sócrates:
Outra coisa não faço senão andar por aí persuadindo-vos, moços e velhos, a não cuidar tão aferradamente do corpo e das riquezas, como de melhorar o mais possível a alma, dizendo-vos que dos haveres não vem a virtude para os homens, mas da virtude vêm os haveres e todos os outros bens particulares e públicos. Se com esses discursos corrompo a mocidade, esses preceitos seriam nocivos; se alguém afirmar que digo outras coisas e não essas, mente (in Platão, "A Defesa de Sócrates").
Quem sabe o que seria agir por princípios?
Eu diria que são raros...
Ele é um questionador, desestabiliza crenças adotadas sem fundamentação, e nem precisa de floreios ou meias palavras.
A famosa doutrina da douta ignorância, se baseia na afirmação: "Só sei que nada sei". Há um paradoxo tanto em ser ignorante e ao mesmo tempo sábio (douto) quando em afirmar que sabe nada saber. Ora, então sabe, pelo menos isso: que nada sabe.
Mas as lições socráticas são compreensíveis, basta que nos desembaracemos das aporias e das armadilhas da lógica.
O filósofo almeja aprender sempre e sua sabedoria reside em deixar de lado a arrogância, a pretensão de ser portador da verdade, e assim deixar o campo livre a quem quiser percorrer.
O pensador lavra o campo, prepara o terreno, mas as sementes devem ser lançadas tanto pelo mestre como pelo aprendiz.
As colheitas serão sazonais, não acabarão e para tal a aprendizagem deve ser permanente. Mas, se o caminho escolhido for a da vaidade, do saber total e definitivo que ao invés de argumentar só tenta dissuadir, influenciar, empacotar o pensar em caixas fechadas prontas para o uso, em geral de ideologias fáceis -, então a reflexão filosófica congela.
A retidão e a firmeza moral, a vida exemplar, o ensino que desconstrói certezas absolutas, levou Sócrates à condenação por ter corrompido a juventude. A questão é que Sócrates incomodava políticos de Atenas, seus discursos punham a nu a hipocrisia, o filósofo desmascarava as segundas intenções, o que sempre perturba os medíocres. A estes não adiante colocar-lhes espelhos. Eles só veem o que querem ver.
Diz Sócrates:
Outra coisa não faço senão andar por aí persuadindo-vos, moços e velhos, a não cuidar tão aferradamente do corpo e das riquezas, como de melhorar o mais possível a alma, dizendo-vos que dos haveres não vem a virtude para os homens, mas da virtude vêm os haveres e todos os outros bens particulares e públicos. Se com esses discursos corrompo a mocidade, esses preceitos seriam nocivos; se alguém afirmar que digo outras coisas e não essas, mente (in Platão, "A Defesa de Sócrates").
(470/469-399 a. C.)
E prossegue afirmando que não arredará desses princípios!Quem sabe o que seria agir por princípios?
Eu diria que são raros...
domingo, 13 de maio de 2018
A ética dos atos de liberdade de M. Foucault
As duas últimas obras publicadas por Foucault, o foram no ano de sua morte, 1984. Os títulos indicam que o tema é a história da sexualidade, mas não havia sexualidade no sentido biológico, médico, psicológico e psicanalítico tal qual desde o século 19 se compreende, nem para os gregos antigos e nem para os latinos do século 1 e 2 de nossa era.
Para os gregos tratava-se dos aphrodisia, quer dizer, dos prazeres e de como moldá-los no sentido de seguir hábitos de saúde, observar certo tipo de dieta conforme as estações do ano e a idade, respeitar o jovem efebo em sua virilidade nas relações que hoje chamaríamos de homossexuais. Ora, justamente, esse é um termo de ajustamento de condutas seguindo normas, próprio da modernidade.
E esse modo de avaliar a sexualidade em termos de normal e anormal sugere que a moral e a ética da carne, do pecado, das transgressões que nasceu com o cristianismo, se prolongou até hoje. Mesmo as tentativas de liberação, nada mais são do que o reconhecimento de que sexo é reprimido.
Para Foucault, não se trata de repressão e sim de uma pletora discursiva. Fala-se, às vezes veladamente, mas fala-se de sexo o tempo todo.
A ética grega e latina se dava em outra perspectiva. A da liberdade e autonomia sem que sexo fosse a questão dominante. A medicina oferecia conselhos para a prática mais prazerosa e oportuna, inclusive o regime do não desperdício nas relações sexuais.
Mas, o que essas práticas têm a ver com atos de liberdade, como cerne da ética?
Ao contrário de Marcuse que propusera liberar a sexualidade como forma política de emancipação, o eros não é central para Foucault. Quais seriam, pergunta ele, as práticas de liberdade que usaríamos para definir prazer, relações eróticas, amorosas e passionais? A ética como práticas que envolvem atos de liberdade, assumidos pelas pessoas e não impingidos por códigos e preceitos, com regras que definem o que é permitido ou proibido, tampouco a fala nos consultórios para extrair o sexo reprimido.
O modelo seria então, o dos gregos da antiguidade clássica: o justo meio, a modulação de seus atos em um estilo pessoal de vida, que poderia ser resumido na pergunta:"O que eu quero para mim?"
O difícil seria entender que não se trata de um "tudo vale", pois é preciso ser o dono de si, ter domínio sobre si mesmo, justamente, "a prática refletida da liberdade", uma arte de viver, e de viver bem.
Para os gregos tratava-se dos aphrodisia, quer dizer, dos prazeres e de como moldá-los no sentido de seguir hábitos de saúde, observar certo tipo de dieta conforme as estações do ano e a idade, respeitar o jovem efebo em sua virilidade nas relações que hoje chamaríamos de homossexuais. Ora, justamente, esse é um termo de ajustamento de condutas seguindo normas, próprio da modernidade.
E esse modo de avaliar a sexualidade em termos de normal e anormal sugere que a moral e a ética da carne, do pecado, das transgressões que nasceu com o cristianismo, se prolongou até hoje. Mesmo as tentativas de liberação, nada mais são do que o reconhecimento de que sexo é reprimido.
Para Foucault, não se trata de repressão e sim de uma pletora discursiva. Fala-se, às vezes veladamente, mas fala-se de sexo o tempo todo.
A ética grega e latina se dava em outra perspectiva. A da liberdade e autonomia sem que sexo fosse a questão dominante. A medicina oferecia conselhos para a prática mais prazerosa e oportuna, inclusive o regime do não desperdício nas relações sexuais.
Mas, o que essas práticas têm a ver com atos de liberdade, como cerne da ética?
Ao contrário de Marcuse que propusera liberar a sexualidade como forma política de emancipação, o eros não é central para Foucault. Quais seriam, pergunta ele, as práticas de liberdade que usaríamos para definir prazer, relações eróticas, amorosas e passionais? A ética como práticas que envolvem atos de liberdade, assumidos pelas pessoas e não impingidos por códigos e preceitos, com regras que definem o que é permitido ou proibido, tampouco a fala nos consultórios para extrair o sexo reprimido.
O modelo seria então, o dos gregos da antiguidade clássica: o justo meio, a modulação de seus atos em um estilo pessoal de vida, que poderia ser resumido na pergunta:"O que eu quero para mim?"
O difícil seria entender que não se trata de um "tudo vale", pois é preciso ser o dono de si, ter domínio sobre si mesmo, justamente, "a prática refletida da liberdade", uma arte de viver, e de viver bem.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Cinco questões fundamentais da Filosofia
Há cinco questões fundamentais que a Filosofia se propõe a colocar, busca responder ou mesmo deixa em aberto:
- Sobre o Ser, tudo o que há, que existe, que subsiste, que aparenta ser, ou que é o que aparenta; e pode esta questão ser posta de outro modo: o que são os fenômenos, acontecimentos, coisas, objetos? Eles possuem um cerne, uma essência que é sua marca de identificação? Cabe perguntar também o modo como vieram a ser, o modo como atualmente são, como serão ou deixarão de ser. Exemplo: para Aristóteles em sua Metafísica há substâncias essenciais (o que não pode faltar ao ser) e seus acidentes, o modo como existem no tempo, no espaço, neste ou naquele lugar, deste ou daquele modo, enfim, suas variações.
- Sobre o conhecimento, como conhecemos, como atingimos o que nos cerca: pela percepção? sensações? intelecto? O que nos vem à mente, ao nosso saber, depende de ideias, de conceitos, da linguagem? Ou retratamos as coisas exatamente como elas são, tal como se a mente fosse um espelho? Necessitamos de um tipo de rede (proposições, atos de fala, construções sociais) que, lançada à realidade a torna cognoscível? Ou a realidade em si é conhecida tal qual ela é e não como nós a representamos?
- Sobre o bem e o mal, o sentimento ético/moral de que há atitudes comprometidas com o bem e que abominam o mal, para em seguida perguntar? Mas, o que é bem? E o que é mal? Quem os distingue? Sob quais critérios consideramos boa a ação ou a condenamos? Precisamos de alguém superior e detentor de um código para distinguir bem de mal? Quem pode punir? Somos sujeitos a uma lei eterna e receberemos recompensa ou castigo? Ou nós mesmos somos livres e responsáveis por nossos atos?
- Sobre a verdade, alguém a detém? Trata-se de uma questão de critérios? Quais seriam? A coerência, a comprovação? Como provar ou comprovar? Há juízos corretos, e os que passam por corretos, mas que mudam com o tempo e as sociedades? Verdade pronunciada em nome de quem ou do que? Se a verdade é desejável e benéfica, como podem os enganos, a mentira, a ilusão, o auto-engano prevalecerem muitas vezes? O que significa "verdade"? Integridade? Possibilidade de verificação? Ater-se a um credo ou crença?
- Sobre o sentido da existência: há pleno sentido para os que obtêm resposta em um mestre, uma doutrina, uma religião, um partido político? É preciso um ideal, mas como chegar a esse ideal, ou melhor ainda, há mesmo um ideal? A plenitude pode provir de realizações pessoais? Da família? Dos laços de amor e afeto? Do trabalho? Do projeto de vida no qual as pessoas se engajam? Do poder da esperança para os que sofrem? E quando não há perspectiva e a vida não tem sentido algum como concluem os céticos?
É possível que nenhuma dessas questões seja proposta por um sem número de pessoas, nesse caso a própria condição humana acaba por ser negada, alienada e rejeitada.
- Sobre o Ser, tudo o que há, que existe, que subsiste, que aparenta ser, ou que é o que aparenta; e pode esta questão ser posta de outro modo: o que são os fenômenos, acontecimentos, coisas, objetos? Eles possuem um cerne, uma essência que é sua marca de identificação? Cabe perguntar também o modo como vieram a ser, o modo como atualmente são, como serão ou deixarão de ser. Exemplo: para Aristóteles em sua Metafísica há substâncias essenciais (o que não pode faltar ao ser) e seus acidentes, o modo como existem no tempo, no espaço, neste ou naquele lugar, deste ou daquele modo, enfim, suas variações.
- Sobre o conhecimento, como conhecemos, como atingimos o que nos cerca: pela percepção? sensações? intelecto? O que nos vem à mente, ao nosso saber, depende de ideias, de conceitos, da linguagem? Ou retratamos as coisas exatamente como elas são, tal como se a mente fosse um espelho? Necessitamos de um tipo de rede (proposições, atos de fala, construções sociais) que, lançada à realidade a torna cognoscível? Ou a realidade em si é conhecida tal qual ela é e não como nós a representamos?
- Sobre o bem e o mal, o sentimento ético/moral de que há atitudes comprometidas com o bem e que abominam o mal, para em seguida perguntar? Mas, o que é bem? E o que é mal? Quem os distingue? Sob quais critérios consideramos boa a ação ou a condenamos? Precisamos de alguém superior e detentor de um código para distinguir bem de mal? Quem pode punir? Somos sujeitos a uma lei eterna e receberemos recompensa ou castigo? Ou nós mesmos somos livres e responsáveis por nossos atos?
- Sobre a verdade, alguém a detém? Trata-se de uma questão de critérios? Quais seriam? A coerência, a comprovação? Como provar ou comprovar? Há juízos corretos, e os que passam por corretos, mas que mudam com o tempo e as sociedades? Verdade pronunciada em nome de quem ou do que? Se a verdade é desejável e benéfica, como podem os enganos, a mentira, a ilusão, o auto-engano prevalecerem muitas vezes? O que significa "verdade"? Integridade? Possibilidade de verificação? Ater-se a um credo ou crença?
- Sobre o sentido da existência: há pleno sentido para os que obtêm resposta em um mestre, uma doutrina, uma religião, um partido político? É preciso um ideal, mas como chegar a esse ideal, ou melhor ainda, há mesmo um ideal? A plenitude pode provir de realizações pessoais? Da família? Dos laços de amor e afeto? Do trabalho? Do projeto de vida no qual as pessoas se engajam? Do poder da esperança para os que sofrem? E quando não há perspectiva e a vida não tem sentido algum como concluem os céticos?
É possível que nenhuma dessas questões seja proposta por um sem número de pessoas, nesse caso a própria condição humana acaba por ser negada, alienada e rejeitada.
domingo, 16 de março de 2014
A ética da coragem e a ética da responsabilidade
A virtude da coragem deixou de ser modelo ético em nossos dias. A coragem é considerada um atributo da força física, ou uma qualidade atlética, no sentido de enfrentar e vencer perigo. Ser corajoso significa destemor, não ter medo de obstáculos, caso dos desportistas em geral. Nada contra...
Mas, a coragem ética é de outra natureza. Não requer treinamento, exercício ou superação. Requer uma aguda consciência de viver conforme seus projetos, saber-se só nos momentos cruciais de decisão, encarar a vida do ponto de vista de nossa mortalidade. Assim, subir em uma montanha não seria desafiar os perigos, e sim poder contemplar, alargar horizontes e perspectivas. Olhar lá de cima o precipício, entender que essa altura e essa contemplação são a metáfora por excelência para a coragem ética, é raro encontrar quem assim reflita. E por que?
Não interessa às pessoas enfrentarem a si mesmas, se ocuparem consigo, perceberem a si próprias como um ponto frágil e ao mesmo tempo forte. Frágil porque mortais, embora fortes o suficiente para abastecer seu dia a dia com a confiança dos que usufruem e sorvem da passagem do tempo, que procuram compreender, ouvir, tolerar, que abominam hipocrisia e fingimento. Que prezam a autenticidade.
E por que essa virtude é tão importante?
A importância dessa virtude, a coragem moral, decorre de suas consequências: desprendimento, solicitude, grandeza , abertura para o outro, para o diferente, a aceitação e compreensão dos limites do humano.
Quanto à ética da responsabilidade, essa é bem conhecida, inculcada, e dela só se eximem os que agem de má-fé.
Fomos educados para o estudo, para o trabalho, para a responsabilidade com deveres e com compromissos. Não temos desculpa para atrasos, para faltas, somos cobrados o tempo todo no trabalho, pelo Estado, pela família, nas transações de compra e venda, somos afogados por impostos, somos responsabilizados por todo tipo de atitude, as que devem ser tomadas e as que não devem ser tomadas. Crianças não escapam, idosos não escapam. A impressão é de que apenas prisioneiros estão dispensados de tarefas, responsabilidade e deveres!
Que contraste entre os dois estilos de vida, o do solitário no alto da montanha, e o do cidadão responsável! Seguir regras, ter direitos e deveres, sentir-se e saber-se responsável pelos que nos são próximos e também pela própria humanidade, como queria Kant (a ética do dever), isso tudo pesa e muito. Parece incompatível com certa leveza que há no modo de viver do corajoso, como o leão ou, melhor, a águia de Nietzsche.
Muito difícil, senão impossível viver como um ermitão. Não há sequer espaço para a solidão!
Mas, se a responsabilidade for tomada em sentido mais amplo, se, além de cumprir deveres ela incluir a mais completa e total solidão das tomadas de decisão, como quer Sartre? Quer dizer, não haveria um atributo ou uma propriedade humana, para além das virtudes acima? Sim, a liberdade, ela é inerente aos seres humanos, um bem inalienável, não se destitui ninguém de sua liberdade. Mesmo alguém escravizado pode assumir-se como livre do ônus de quem escraviza.
É na condição de seres livres que a coragem e a responsabilidade se complementam e se compatibilizam.
Mas, a coragem ética é de outra natureza. Não requer treinamento, exercício ou superação. Requer uma aguda consciência de viver conforme seus projetos, saber-se só nos momentos cruciais de decisão, encarar a vida do ponto de vista de nossa mortalidade. Assim, subir em uma montanha não seria desafiar os perigos, e sim poder contemplar, alargar horizontes e perspectivas. Olhar lá de cima o precipício, entender que essa altura e essa contemplação são a metáfora por excelência para a coragem ética, é raro encontrar quem assim reflita. E por que?
Não interessa às pessoas enfrentarem a si mesmas, se ocuparem consigo, perceberem a si próprias como um ponto frágil e ao mesmo tempo forte. Frágil porque mortais, embora fortes o suficiente para abastecer seu dia a dia com a confiança dos que usufruem e sorvem da passagem do tempo, que procuram compreender, ouvir, tolerar, que abominam hipocrisia e fingimento. Que prezam a autenticidade.
E por que essa virtude é tão importante?
A importância dessa virtude, a coragem moral, decorre de suas consequências: desprendimento, solicitude, grandeza , abertura para o outro, para o diferente, a aceitação e compreensão dos limites do humano.
Quanto à ética da responsabilidade, essa é bem conhecida, inculcada, e dela só se eximem os que agem de má-fé.
Fomos educados para o estudo, para o trabalho, para a responsabilidade com deveres e com compromissos. Não temos desculpa para atrasos, para faltas, somos cobrados o tempo todo no trabalho, pelo Estado, pela família, nas transações de compra e venda, somos afogados por impostos, somos responsabilizados por todo tipo de atitude, as que devem ser tomadas e as que não devem ser tomadas. Crianças não escapam, idosos não escapam. A impressão é de que apenas prisioneiros estão dispensados de tarefas, responsabilidade e deveres!
Que contraste entre os dois estilos de vida, o do solitário no alto da montanha, e o do cidadão responsável! Seguir regras, ter direitos e deveres, sentir-se e saber-se responsável pelos que nos são próximos e também pela própria humanidade, como queria Kant (a ética do dever), isso tudo pesa e muito. Parece incompatível com certa leveza que há no modo de viver do corajoso, como o leão ou, melhor, a águia de Nietzsche.
Muito difícil, senão impossível viver como um ermitão. Não há sequer espaço para a solidão!
Mas, se a responsabilidade for tomada em sentido mais amplo, se, além de cumprir deveres ela incluir a mais completa e total solidão das tomadas de decisão, como quer Sartre? Quer dizer, não haveria um atributo ou uma propriedade humana, para além das virtudes acima? Sim, a liberdade, ela é inerente aos seres humanos, um bem inalienável, não se destitui ninguém de sua liberdade. Mesmo alguém escravizado pode assumir-se como livre do ônus de quem escraviza.
É na condição de seres livres que a coragem e a responsabilidade se complementam e se compatibilizam.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
As virtudes na ética da antiguidade, cristã e contemporânea
Virtudes são disposições para agir bem, requerem o cultivo de hábitos que levam a uma boa e bela vida, não só a do indivíduo, mas práticas que promovem o bem comum.
Na ética antiga as virtudes cultivadas eram as da sabedoria, prudência, fortaleza, coragem, autodomínio, liberdade para exercer sobre si mesmo um controle prudente dos desejos e das paixões, em nome do equilíbrio, da moderação. Nada é ditado ou imposto do exterior por alguma autoridade moral ou política. Por exemplo, ser magnânimo, isto é, aberto, condescendente, capaz de superar dificuldades, ter um espírito livre, é melhor do que ser raivoso, cruel, mesquinho.
Não havia a noção de repressão, de castigo, de punição, prevalecia o cuidado consigo o que requer conhecimento de si. O "Conhece-te a ti mesmo", antigo preceito que Sócrates adotou, significa que sem o logos, sem o conhecimento de si, sem a verdade, nenhuma das virtudes pode ser praticada.
A ética cristã é modelada por outros princípios, daí outras virtudes. Vida regrada em nome da pureza, da castidade, da humildade; o desejo deve ser reprimido, o corpo é carne e esta pode levar à impureza, ao pecado. Os prazeres precisam ser controlados, é melhor sofrer o desprazer, ser rígido e reconhecer-se como pecador, para assim purificar sua alma, do que ser escravo das paixões. Há que seguir os preceitos de uma moral rígida e que vale para todos, da mesma forma.
E hoje? Penso que vale a pena recuperar alguns valores da ética antiga, pois estão ligados à verdade e à liberdade.
As virtudes mais prezadas no mundo atual estão ligadas à manutenção da vida, à luta pela sobrevivência, à defesa da privacidade, à busca do bem-estar, em especial o do corpo saudável.
Quando se menciona a prudência, é a com relação a algum tipo de risco, violência (assaltos, acidentes de trânsito, perigos e riscos físicos). Quando se aconselha o autoconhecimento, não se visa engrandecimento pessoal, mas pôr sua existência sob o crivo de um especialista, esperando que ele ou ela dê conta de seus problemas, o libere da angústia e dê algum sentido à sua vida. Quando se fala da prática da sabedoria, confunde-se com inteligência (sabedoria medida por um teste de QI...) ou com aquilo que gurus têm, mas que é inalcançável para o comum dos mortais.
Quando se fala em equilíbrio, moderação, pensa-se logo na boa forma ou no novo mal do século 21, o peso do corpo, há que ficar atento ao índice de massa corporal, seu excesso ou sua falta.
Quais seriam, então, as nossas atuais virtudes, se é que essa preocupação com uma ética das virtudes ainda faz sentido?
Infelizmente predomina a ética do empreendedor. Realização pessoal passou a ser realização profissional; ser ético, é no trabalho, para realçar a imagem da empresa e evitar processos; espírito livre e magnânimo, são atitudes que sequer fazem sentido...
O processo de formação, de construção, de educação, deveria incluir algum tipo de reflexão sobre ética, valores e virtudes. Se as crianças tiverem essa formação, algumas são manipuladoras, ditadores mirins, exigentes e autocentrados, haverá menos adultos frustrados e por vezes violentos.
Na ética antiga as virtudes cultivadas eram as da sabedoria, prudência, fortaleza, coragem, autodomínio, liberdade para exercer sobre si mesmo um controle prudente dos desejos e das paixões, em nome do equilíbrio, da moderação. Nada é ditado ou imposto do exterior por alguma autoridade moral ou política. Por exemplo, ser magnânimo, isto é, aberto, condescendente, capaz de superar dificuldades, ter um espírito livre, é melhor do que ser raivoso, cruel, mesquinho.
Não havia a noção de repressão, de castigo, de punição, prevalecia o cuidado consigo o que requer conhecimento de si. O "Conhece-te a ti mesmo", antigo preceito que Sócrates adotou, significa que sem o logos, sem o conhecimento de si, sem a verdade, nenhuma das virtudes pode ser praticada.
A ética cristã é modelada por outros princípios, daí outras virtudes. Vida regrada em nome da pureza, da castidade, da humildade; o desejo deve ser reprimido, o corpo é carne e esta pode levar à impureza, ao pecado. Os prazeres precisam ser controlados, é melhor sofrer o desprazer, ser rígido e reconhecer-se como pecador, para assim purificar sua alma, do que ser escravo das paixões. Há que seguir os preceitos de uma moral rígida e que vale para todos, da mesma forma.
E hoje? Penso que vale a pena recuperar alguns valores da ética antiga, pois estão ligados à verdade e à liberdade.
As virtudes mais prezadas no mundo atual estão ligadas à manutenção da vida, à luta pela sobrevivência, à defesa da privacidade, à busca do bem-estar, em especial o do corpo saudável.
Quando se menciona a prudência, é a com relação a algum tipo de risco, violência (assaltos, acidentes de trânsito, perigos e riscos físicos). Quando se aconselha o autoconhecimento, não se visa engrandecimento pessoal, mas pôr sua existência sob o crivo de um especialista, esperando que ele ou ela dê conta de seus problemas, o libere da angústia e dê algum sentido à sua vida. Quando se fala da prática da sabedoria, confunde-se com inteligência (sabedoria medida por um teste de QI...) ou com aquilo que gurus têm, mas que é inalcançável para o comum dos mortais.
Quando se fala em equilíbrio, moderação, pensa-se logo na boa forma ou no novo mal do século 21, o peso do corpo, há que ficar atento ao índice de massa corporal, seu excesso ou sua falta.
Quais seriam, então, as nossas atuais virtudes, se é que essa preocupação com uma ética das virtudes ainda faz sentido?
Infelizmente predomina a ética do empreendedor. Realização pessoal passou a ser realização profissional; ser ético, é no trabalho, para realçar a imagem da empresa e evitar processos; espírito livre e magnânimo, são atitudes que sequer fazem sentido...
O processo de formação, de construção, de educação, deveria incluir algum tipo de reflexão sobre ética, valores e virtudes. Se as crianças tiverem essa formação, algumas são manipuladoras, ditadores mirins, exigentes e autocentrados, haverá menos adultos frustrados e por vezes violentos.
sábado, 4 de setembro de 2010
Ética na política
O exercício da política ou bem tem compromisso com princípios éticos ou é um toma lá dá cá no balcão do poder. Para chegar ao poder ou para permanecer no poder, vale tudo. Desde os métodos mais sórdidos até aqueles que burlam a confiança dos cidadãos nas instituições.
Os políticos que contam com recursos como os da máquina administrativa, distribuição de cargos, programas populistas, propaganda massiva dos feitos e sistemática ocultação dos problemas do país -, agem sem nenhum escrúpulo.
Para Aristóteles, o homem é por natureza um animal político, por natureza ele deseja se associar em comunidades, desde a família, até o estado. Ele concebia a política como uma prática que visa a felicidade de toda a comunidade. Esse é o fim da associação política, promover a virtude, o bem coletivo. Se visar interesses particulares, de um grupo, de determinado partido e assim prejudicar o bem comum, não é política.
O homem dotado de prudência e de virtude atinge o máximo de suas realizações, é o melhor dos animais, mas quando afastado da lei e da justiça, se torna o pior dos animais. Quando abusa, quando pratica a injustiça, se torna uma fera, diz Aristóteles.
A virtude da justiça é um valor político, pois a comunidade política tem como regra máxima, a prática da justiça.
Ora, o que se vê nessas eleições, de parte de seu dirigente máximo, é gozar das instituições, soltar palavras ao vento, nadar na popularidade.
Os discursos fascistas se baseavam no conceito de pai, de todo poderoso, de árbitro final de todas as questões. Justamente para coibir o pensamento livre, manietam o rebanho. "Siga o chefe, e você terá o melhor dos mundos!"
Incrível que todas as realizações econômicas ou vieram da iniciativa privada, ou de "laissez-faire", o governo não só deixa estar, como incentiva a liberdade de mercado. Na outra ponta, extorque com impostos. Exatamente o que a esquerda do discurso pronto contra o neoliberalismo pregava, foi ignorado. É evidente, pois no sistema de capitalismo avançado, é impossível pôr a economia a ferros pelo Estado. Mas isso não é dito.
Como se vê, um partido que pregou o discurso da ética, foi o que mais a feriu quando no poder.
Um partido que pregou o discurso contra o neoliberalismo, calou, aceitou e praticou a política liberal, de mercado!
Quando a aprendiz de feiticeiro, no poder, mostrar suas garras de terrorista, será tarde...
Os políticos que contam com recursos como os da máquina administrativa, distribuição de cargos, programas populistas, propaganda massiva dos feitos e sistemática ocultação dos problemas do país -, agem sem nenhum escrúpulo.
Para Aristóteles, o homem é por natureza um animal político, por natureza ele deseja se associar em comunidades, desde a família, até o estado. Ele concebia a política como uma prática que visa a felicidade de toda a comunidade. Esse é o fim da associação política, promover a virtude, o bem coletivo. Se visar interesses particulares, de um grupo, de determinado partido e assim prejudicar o bem comum, não é política.
O homem dotado de prudência e de virtude atinge o máximo de suas realizações, é o melhor dos animais, mas quando afastado da lei e da justiça, se torna o pior dos animais. Quando abusa, quando pratica a injustiça, se torna uma fera, diz Aristóteles.
A virtude da justiça é um valor político, pois a comunidade política tem como regra máxima, a prática da justiça.
Ora, o que se vê nessas eleições, de parte de seu dirigente máximo, é gozar das instituições, soltar palavras ao vento, nadar na popularidade.
Os discursos fascistas se baseavam no conceito de pai, de todo poderoso, de árbitro final de todas as questões. Justamente para coibir o pensamento livre, manietam o rebanho. "Siga o chefe, e você terá o melhor dos mundos!"
Incrível que todas as realizações econômicas ou vieram da iniciativa privada, ou de "laissez-faire", o governo não só deixa estar, como incentiva a liberdade de mercado. Na outra ponta, extorque com impostos. Exatamente o que a esquerda do discurso pronto contra o neoliberalismo pregava, foi ignorado. É evidente, pois no sistema de capitalismo avançado, é impossível pôr a economia a ferros pelo Estado. Mas isso não é dito.
Como se vê, um partido que pregou o discurso da ética, foi o que mais a feriu quando no poder.
Um partido que pregou o discurso contra o neoliberalismo, calou, aceitou e praticou a política liberal, de mercado!
Quando a aprendiz de feiticeiro, no poder, mostrar suas garras de terrorista, será tarde...
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